sábado, 23 de maio de 2009

Entre frondosas copas de consciência

Há um vale.
Frio e insensato por entre frondosas copas de consciência .

Não se alcança com sobriedade.

Esconde-se em meio a histeria de jovens cores,
pálido apesar de úmido.

Busca coisa alguma o andarilho que cruza suas beiras.
Aventura-se.

Goza que há um vale.
Sombrio e negro por entre frondosas copas de consciência.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Ruas de Tutameia e sua serrapilheira

Enquanto afasta os restos secos e procura profundidade
Educa-se para entender que a superfície não umedece.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Além das palmas a voz do bardo ecoa.

Palmas e cantos rodeiam a fogueira.
O olho do bardo reflete vermelho alaranjado
Quatro movimentos de mão, duas estacas, quatro direções.
Alegria, lágrimas, palmas e cantos.
O bardo reflete.
Flerta sua filosofia certa de amanhecer quieta.

Há um orador.
Senhor de seu rebanho, legislador do momento em que a lenha é colhida.
Dita cânticos,palmas e fogo enquanto cantam, aplaudem e incendeiam.
Nobre Senhor.
Come sem semear.
Cobra a importância de seu bel prazer.

Legiões.
Dia após dia sangram mãos, esvaziam cofres, riem, choram e enriquecem.
Empobrecem enriquecendo santificadas blasfêmias.
Sementes ao solo para alimentar o famigerado legislador,
pois a lei foi criada e isso dá fome!!
O bardo e sua carne, um vermelho alaranjado queima o pecador.

E muito além das palmas, onde árvores resistem em pé,
a voz do bardo ecoa sem tremular louvor a nenhum nobre senhor, legislador de estúpidas ovelhas.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Aos que lutam!!

Pois são como pássaros que repousam no arame farpado.
Liberdade sobre pés cautelosos,
cercas e asas.

Não se pisa em qualquer lugar nesta floresta pois algumas sementes germinam sob sombras.
Velhos corpos que escondem o sol, iluminando o que há por vir
Passado e presente, numa eterna sucessão.

Não se encerra, não se interrompe, pois quando morrem
são como folhas secas ao solo.
Morte e vida sem linhas definidas.
Umidade e pó.

sexta-feira, 20 de março de 2009

O estrangeiro

O corpo imóvel.
Inflexível diante das leis,
torna-se não mais visível.

Excluído de forma bruta, margeia qualquer mente corroída.
Sofre
mas aprende a fazer uso.

Cresce e muda tudo
Invisível e imóvel para toda mente corroída,
rói e desconstrói.

Grita tanto...
geme tanto...
aponta o dedo tão na cara...

Amedronta.

Nunca manteve-se quieto,
mas recebe agora olhares destas mentes focadas na dor.
O que antes invisível era diante das leis, torna-se crível.

Amedronta.

Abala que fere tanto...

A bala que fere tanto...

Deixa seu corpo imóvel.

terça-feira, 17 de março de 2009

Ombro a ombro nas ruas

... e tudo que vai sendo dito pelas paredes
segue ao contrário do escrito nos jornais.

Tensão necessária.

Insônia rebelde que afasta de macias camas condicionadas por frescos ares de comforto.

Ao calor, mexem-se todos.
Infortúnio, ardência, suor que não refresca, sede eterna nunca satisfeita.
Ombro a ombro nas ruas.
Tensão necessária para que nem todo o ar se condicione.

Portas fechadas, cercas cortantes, mais valia e morte.

EXPROPRIA!

Traz às paredes novas frases,
vida nova
pois jornais morrem aos montes
em mãos sofridas de um trem qualquer.

sábado, 7 de março de 2009

O ébrio e a coragem

Não há vôo com asas cerradas ou sangue por veias abertas.
Neste meio sufoca-se com prazer entre cores e ruídos, dia após dia.
E o gozo que goza, golpeia, voa e sangra...
antes que os dedos se esfolem,
procura um trago que seja no copo de qualquer fonte que não lhe deixe soterrar.

Sente diariamente o medo.
Sente o ruído dos aparelhos eletrônicos ligados, das portas da desesperança, do descaso, da felicidade burra e dos rolos que lhe comprimem o corpo atordoando-lhe com pequenas pedras que nos olhos entram como estivesse enterrado.
Golpes que levantam terra repleta de sanguessugas empoeiram tudo o que de cima visível pudesse ser,
mas não se avista...
como se enterrado fosse.

Certas páginas quando deixam de ser folheadas, esquecidas por entre terra e poeira, abandono da paixão comum, morrem jovens, repletas de inspirações.
Dia após dia.

Um trago que seja no copo desta fonte que lhe traga coragem de não deixar soterrar.
Um trago, um sopro de vida que não seja iludida,
a mão sobre a tez suave de uma criança.
O ébrio e a coragem.
Dia após dia.