terça-feira, 9 de junho de 2009

Fome que desaloja

Frente à razão há um espelho. Nesta mesma sala, todas as portas se fecham e todos os assentos presentes possuem uma perspectiva apenas e somente uma maneira de observar o que se reflete. O prédio de nobres colunas reune ávidos famintos com suas dores de estômago, numa fome que abre estradas e desaloja abrigos centenários que resistiam belos e simples até a chegada destas construções. Há de se desejar ver com clareza, pois então fecham-se também as cortinas para que uma luz apenas se direcione sobre o espelho. Lá fora, o cheiro da chuva é forte. Encostam-se e reclinam suas poltronas enquanto aguardam o iluminar da razão nesta sala de cheiro algum. Cada posição, singularmente ajustada, evita contrastes que ofusquem a verdade, única e soberba. A imagem evoca suspiros que ignoram ser este espelho feito somente para refletir um ângulo, existindo apenas para a vaidade da própria razão. Nem cortinas ou cadeiras, nem salas ou prédios seriam necessários, pois tecidos e tábuas vem das roupas e das casas dos que desalojados foram para saciar uma fome inventada por gente gorda. E ao acabar o espetáculo, é essa gente que desfaz o foco, desalinha poltronas e desaloja saberes à espera que outros espectadores, aos prantos emocionados, ofusquem seus olhares por louvor à verdade.

domingo, 31 de maio de 2009

Negros cantos

...ou poesia para afastar intelectuais.

Dedos fora de foco percorrem a angustia.
Síndromes dispersas em palavras que se confundem,
negros cantos, livres de totalitária vanguarda.

Vanguarda de seios cultos e gemidos frios.
Sexo algum há de lhe render tremidas de perna,
como uma masturbação que não goza.

Teoria sem prática.
Dialética de lenha verde,
fagulhas explosivas que não acendem fogueira alguma.

Federaliza tua filosofia!!

Não havemos de desejá-la.
Não pertence às nossas angustias,
nossas síndromes dispersas em nosso gozo.

Dedos fora de foco percorrem palavras que se confundem.
Nosso sexo nada culto treme um gemido gutural,
negros cantos, livre de sua miserável vanguarda.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Vestes apodrecem ao sol

...ou poesia para odiar modistas.

Repetem ruídos e teimam em refletir uma ignorância cristã.
Ao meio do dia, envoltos pelo suor dos que lutam, suas vestes apodrecem ao sol.

Seguem frouxos.

Relincham e cospem o lixo de suas bocas regurgitado pelo desprezo às classes.
Cátedras cercadas por vaidade, moral sem nenhuma genealogia.

Sustentam o comum.

Ao preço que satisfaça, a razão põe-se à venda.
Gira num swing que caiba nesta estética.

Salpicadas pelo suor dos que lutam...

...vestes apodrecem ao sol.

sábado, 23 de maio de 2009

Entre frondosas copas de consciência

Há um vale.
Frio e insensato por entre frondosas copas de consciência .

Não se alcança com sobriedade.

Esconde-se em meio a histeria de jovens cores,
pálido apesar de úmido.

Busca coisa alguma o andarilho que cruza suas beiras.
Aventura-se.

Goza que há um vale.
Sombrio e negro por entre frondosas copas de consciência.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Ruas de Tutameia e sua serrapilheira

Enquanto afasta os restos secos e procura profundidade
Educa-se para entender que a superfície não umedece.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Além das palmas a voz do bardo ecoa.

Palmas e cantos rodeiam a fogueira.
O olho do bardo reflete vermelho alaranjado
Quatro movimentos de mão, duas estacas, quatro direções.
Alegria, lágrimas, palmas e cantos.
O bardo reflete.
Flerta sua filosofia certa de amanhecer quieta.

Há um orador.
Senhor de seu rebanho, legislador do momento em que a lenha é colhida.
Dita cânticos,palmas e fogo enquanto cantam, aplaudem e incendeiam.
Nobre Senhor.
Come sem semear.
Cobra a importância de seu bel prazer.

Legiões.
Dia após dia sangram mãos, esvaziam cofres, riem, choram e enriquecem.
Empobrecem enriquecendo santificadas blasfêmias.
Sementes ao solo para alimentar o famigerado legislador,
pois a lei foi criada e isso dá fome!!
O bardo e sua carne, um vermelho alaranjado queima o pecador.

E muito além das palmas, onde árvores resistem em pé,
a voz do bardo ecoa sem tremular louvor a nenhum nobre senhor, legislador de estúpidas ovelhas.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Aos que lutam!!

Pois são como pássaros que repousam no arame farpado.
Liberdade sobre pés cautelosos,
cercas e asas.

Não se pisa em qualquer lugar nesta floresta pois algumas sementes germinam sob sombras.
Velhos corpos que escondem o sol, iluminando o que há por vir
Passado e presente, numa eterna sucessão.

Não se encerra, não se interrompe, pois quando morrem
são como folhas secas ao solo.
Morte e vida sem linhas definidas.
Umidade e pó.