Em uma terra seca.
Sangue coagulado
de um roxo que não vive.
Áridos debaixo de temporal
povo e lona
de um preto que se confunde.
Há sempre sopro quente
de café e de luta
e sem porém há raiva.
Que une.
Que chora.
Que junta.
Junta sonhos, braços,
junta medos, esperanças,
junta cores e luz.
E eis que alguém grita
e outro alguém que ergue a alma
e tudo se move e é mais uma terra plantada.
Já não é mais seca
Já não é mais dor
Já não é mais morte.
Vida que vence
Luta que cria
Povo que ri.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Das ruas que cresci
Subúrbio de eterna infância.
Um caboclo recusando sela à beira do congá
fuma, canta, dança, xinga e luta
vê folha verde na poeira da rua.
Um caboclo recusando sela à beira do congá
fuma, canta, dança, xinga e luta
vê folha verde na poeira da rua.
domingo, 12 de setembro de 2010
Fim de expediente
Sentou o mundo naquela mesa com seu velho hábito de beber sozinho o ácido e absurdo costume de viver.
O calor vermelho pingado de odores do trabalho jovem criou uma atmosfera rude de barba que coça áspera como se quisesse manter distância da leveza pueril, ou de qualquer outra aproximação cotidiana, mas ao invés de afastar, reunia ébrios novos que não paravam de ser cuspidos dos mais variados instrumentos de tortura. Uma tortura em comum que ligava os corpos maltratados a uma brisa seca de revolta.
Mais forte que o torpor do álcool, raiva que vence a triste misantropia.
Bons ventos, mesmo que grosseiros.
Ar carregado de chuva que não demora a cair.
O calor vermelho pingado de odores do trabalho jovem criou uma atmosfera rude de barba que coça áspera como se quisesse manter distância da leveza pueril, ou de qualquer outra aproximação cotidiana, mas ao invés de afastar, reunia ébrios novos que não paravam de ser cuspidos dos mais variados instrumentos de tortura. Uma tortura em comum que ligava os corpos maltratados a uma brisa seca de revolta.
Mais forte que o torpor do álcool, raiva que vence a triste misantropia.
Bons ventos, mesmo que grosseiros.
Ar carregado de chuva que não demora a cair.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Palavras de Liberdade
"Llena pues de palabras mi locura
o déjame vivir en mi serena
noche del alma para siempre oscura."
EL POETA PIDE A SU AMOR QUE LE ESCRIBA
Federico Garcia Lorca
Um tempo de sorrir com os olhos que não é jovem nem antigo.
Um tempo que não existe.
Poesia sem idade
fértil, fêmea e gutural.
Um tempo que não existe.
Um tempo de sorrir o beijo dado na calçada do mundo.
Poesia sem verdade
Úmida, quente e doce.
Um tempo de sorrir.
Um tempo que não existe.
Poesia e liberdade,
Luta, sofre e chora.
o déjame vivir en mi serena
noche del alma para siempre oscura."
EL POETA PIDE A SU AMOR QUE LE ESCRIBA
Federico Garcia Lorca
Um tempo de sorrir com os olhos que não é jovem nem antigo.
Um tempo que não existe.
Poesia sem idade
fértil, fêmea e gutural.
Um tempo que não existe.
Um tempo de sorrir o beijo dado na calçada do mundo.
Poesia sem verdade
Úmida, quente e doce.
Um tempo de sorrir.
Um tempo que não existe.
Poesia e liberdade,
Luta, sofre e chora.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Teresa e Bernardo
"Os meninos à volta da fogueira
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão perceber como se ganha uma bandeira
E vão saber o que custou a liberdade."
À Volta da Fogueira : Rui Mingas - Manoel Rui - Martinho da Vila
Acomodou gentilmente as crianças na areia para que pudessem chorar o mar.
Choraram e sorriram ao ver o mar grande indo e vindo a todo instante.
O velho pai com seus anos velhos pôs lenha a arder frente aos olhos doces,
cantou devagar a poesia da rosa e de seu príncipe,
cantou o fogo que levava tudo embora.
Disse que chorassem.
Disse que as lágrimas eram presentes seus e somente seus
dos três sonhadores ao mar, para que as águas tivessem sempre um pedaço de seus sonhos.
As crianças entenderam a dor de ser fruto de um amor de verdade
entenderam a vida com seus medos bobos.
O velho pegou no colo a doçura e apertou bem forte no peito.
Pôs nas pequenas mãos a mesma areia que os sustentavam
e a vida escorreu lentamente pelos dedos
rumo ao mar
onde todo o amor um dia renascerá.
Vão aprender coisas de sonho e de verdade
Vão perceber como se ganha uma bandeira
E vão saber o que custou a liberdade."
À Volta da Fogueira : Rui Mingas - Manoel Rui - Martinho da Vila
Acomodou gentilmente as crianças na areia para que pudessem chorar o mar.
Choraram e sorriram ao ver o mar grande indo e vindo a todo instante.
O velho pai com seus anos velhos pôs lenha a arder frente aos olhos doces,
cantou devagar a poesia da rosa e de seu príncipe,
cantou o fogo que levava tudo embora.
Disse que chorassem.
Disse que as lágrimas eram presentes seus e somente seus
dos três sonhadores ao mar, para que as águas tivessem sempre um pedaço de seus sonhos.
As crianças entenderam a dor de ser fruto de um amor de verdade
entenderam a vida com seus medos bobos.
O velho pegou no colo a doçura e apertou bem forte no peito.
Pôs nas pequenas mãos a mesma areia que os sustentavam
e a vida escorreu lentamente pelos dedos
rumo ao mar
onde todo o amor um dia renascerá.
domingo, 8 de agosto de 2010
Sobre o tempo e alguns desejos
"Will the wind ever remember
The names it has blown in the past?
And with its crutch, its old age, and its wisdom
It whispers no, this will be the last..."
James Marshall Hendrix - "The Wind Cries Mary"
Lá pelas tantas o vento sorriu raios de sol lentamente soprando o vermelho sangue dos cabelos.
Aos seus pés o chão vive de mistérios entre pedras, raízes e inocentes flores de desejos novos que crescem e urgem na aspereza madura da vida qualquer poesia boba sobre o proibido passado de semente adormecida.
Diz com voz macia que sua pele deita cartas ao rio com a esperança de ser tocada pelo correr das águas.
Diz com olhos fechados que suas costas arrepiam por repousar na varanda do mundo um verão calmo de nuvens brancas.
E antes de mais nada dê de beber ao sonho em teu sono tão preguiçoso...
...pois quando acordar pela noite e o sorriso soprar novamente seus cabelos, o cheiro doce da aventura descerá ao mortal campo de nossos dias iluminando tudo com um farto céu de novas estrelas.
The names it has blown in the past?
And with its crutch, its old age, and its wisdom
It whispers no, this will be the last..."
James Marshall Hendrix - "The Wind Cries Mary"
Lá pelas tantas o vento sorriu raios de sol lentamente soprando o vermelho sangue dos cabelos.
Aos seus pés o chão vive de mistérios entre pedras, raízes e inocentes flores de desejos novos que crescem e urgem na aspereza madura da vida qualquer poesia boba sobre o proibido passado de semente adormecida.
Diz com voz macia que sua pele deita cartas ao rio com a esperança de ser tocada pelo correr das águas.
Diz com olhos fechados que suas costas arrepiam por repousar na varanda do mundo um verão calmo de nuvens brancas.
E antes de mais nada dê de beber ao sonho em teu sono tão preguiçoso...
...pois quando acordar pela noite e o sorriso soprar novamente seus cabelos, o cheiro doce da aventura descerá ao mortal campo de nossos dias iluminando tudo com um farto céu de novas estrelas.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Sob o efeito de noites brancas
“Mas uma espécie de obscura sensação que lhe magoa e agita ligeiramente o peito, uma espécie de desejo novo, seduz, afaga e irrita sua imaginação, e suscita furtivamente todo um enxame de novos fantasmas.” Noites Brancas F. Dostoievski
Um suor pantanoso que suga toda a verve. Quanto mais seco e argiloso seu prazer inflama, um misto de torpor e angústia faz arder à noite branca com a insônia do despertar de mil primaveras. Injusto verso ausente ao trago amargo da madrugada, com sua vida negra que sangra na busca de um útero fértil para a arte solitária e incômoda do sonhador. São mulheres de enterros e são grutas inexploradas da razão! Imundos fornicadores em festas pagãs correndo nus aos atropelos da bebida trazendo à mente um turbilhão inimaginável de paixão. São noites brancas. Raro riso do poeta.
Um suor pantanoso que suga toda a verve. Quanto mais seco e argiloso seu prazer inflama, um misto de torpor e angústia faz arder à noite branca com a insônia do despertar de mil primaveras. Injusto verso ausente ao trago amargo da madrugada, com sua vida negra que sangra na busca de um útero fértil para a arte solitária e incômoda do sonhador. São mulheres de enterros e são grutas inexploradas da razão! Imundos fornicadores em festas pagãs correndo nus aos atropelos da bebida trazendo à mente um turbilhão inimaginável de paixão. São noites brancas. Raro riso do poeta.
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