sábado, 4 de fevereiro de 2012

OGÃ

Matuta o velho:

- Minhas mãos são feitas de um couro que teima em bater pras ondas do vento.
São de sangrar em pele.
Teu corpo é desta crença, teu espírito trovoada no gongá maior de vida .
Entende preta que é de força que se trata nossa luta.
Assim quer Zambi.
E isso é bom!!
Pois é de luta a criação e toda essa vontade de viver.
Entende que disso não se pode fugir
e que minhas mãos são palmas pra te ver dançar.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ser Poeta / 2

Ausente da grande presença
em busca ainda do que não há de vir.

Verso refúgio,
filho de todas as angústias e prazeres
nasce da morte
por um não sei quê
num corpo de não sei como.

Conforta e irrita.

É um viver portanto
na mais pura essência.

Ser poeta

Mais um instante e um novo passado se impõe.
Velho repente do tempo.

A gente em silêncio ri
sonha só.

Vê a gira girar
cantando só.

EPARREI OYÁ!!

...quando pela manhã sorri pro Sol que entra
é por humildade...

Carrega no olhar que ri
a claridade dos tempos
que ilumina a vida mais que qualquer outra luz.

Mudanças

Deixa clarear.
Quem nasce no colo dos pobres clareia a vida sendo a própria luz.
Isso basta.

Assim disseram os que me ensinaram a liberdade sem chorar migalhas ao mundo.
Foram riso e foram suor.
Mas nunca dor.

Dor passa.
E o que fica é luta.
Deixa clarear.
E isso basta.

Depois o vento que sempre vem
quebrou as coisas velhas e varreu a sala com seu jeito de mostrar
levando pra fora o que foi preciso
pro quintal do tempo, onde outra verdade ilumina.
De cor viva, de cheiro forte, de gosto ébrio, de pele úmida.

Mas nunca de sofrimento.
Isso passa.
E o que fica é amor.
Deixa clarear.
E isso basta.

E daí que chego longe a ponto de ver outro povo.
Povo que também ri, que também luta, que também goza.
Companheiros, com alegria e com trabalho.

Mas nunca com arrependimento.
Porque coisa assim passa.
O que fica é ensinamento.
Deixa clarear.
Isso basta.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Irmãos

Y así nos reconocemos 
por el lejano mirar, 
por la copla que mordemos, 
semilla de inmensidad.

Atahualpa Yupanqui - "Los Hermanos"

Quando passarem os corpos no desfile sem cores das ruas, lá não estaremos.

Não estaremos lá quando os dentes carregarem a felicidade vazia dos tempos vividos.

E quando não existir mais nada para não estarmos, a solidão encontrará nossos gemidos e estaremos juntos enfim.

Nossos olhos que choram pertencerão ao breve silêncio de nossa eternidade e assim nos reconheceremos irmãos.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Iansã

Oyá,

descobre do teu jeito que sempre o sol se põe diferente.

Hoje tudo é descoberta, tudo é ar e movimento nesses teus cabelos de terra molhada.

Um dia,
lá longe quando o raio não caía,
o rosto que não via outro rosto que lhe mirasse
esperava sem querer a vida parar de lhe tirar os seus.

Hoje a espera já se foi...

... a força já é tua, mas é desejo teimoso e pede que isso você não esqueça.

Diz com cheiro suave de mata que trovoada demais afasta.
Implora que teu vento seja a fertilidade que vem
trazendo um calmo sono após gozar na tempestade.