Pode ter sido o encontro da ostra com o vento nessa ilha de farol abandonado.
E pode ser que não seja nada também.
O mistério de certas coisas soa como o único meio de mantê-las acesas.
Vê.... enquanto houver fragmentos e a vontade de juntá-los como se aperta um nó de presente de criança, tudo estará salvo.
Devaneio algum é bobo demais para se abandonar no meio de tantas reticências, assim como não se abandona olhar para o céu com tantos caminhos guiados por suas estrelas.
sábado, 27 de novembro de 2010
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Visgo de Jaca
Impessoal como um espelho sem reflexo.
O verso, este visgo de jaca, paralisa o poeta.
Produz a ânsia incontrolável de ser expurgado de um corpo doente
num abissal desespero por solidão.
Age como uma amante.
Sem dono e sem roupa em seus lençóis,
exigindo desejo numa liberdade pegajosa.
O verso, este visgo de jaca, paralisa o poeta.
Produz a ânsia incontrolável de ser expurgado de um corpo doente
num abissal desespero por solidão.
Age como uma amante.
Sem dono e sem roupa em seus lençóis,
exigindo desejo numa liberdade pegajosa.
URBANIZAÇÃO/2
No dia em que o mundo deixou de ser mundo foi embora num conto de areia em que beira mar chamou.
Debaixo da saia de um amor sujo esfregou a barba nas pernas ninfas do tempo só pra ver o violento enxame da vida fazer sentido novamente, sem ruas em sangue ou perdidas almas atiradas do alto dos morros.
Afrouxando as próprias rédeas pra recuperar o gozo e o sono.
Debaixo da saia de um amor sujo esfregou a barba nas pernas ninfas do tempo só pra ver o violento enxame da vida fazer sentido novamente, sem ruas em sangue ou perdidas almas atiradas do alto dos morros.
Afrouxando as próprias rédeas pra recuperar o gozo e o sono.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
URBANIZAÇÃO
Ao redor de fumo e pensamentos, um negro silencia o mundo que gira rápido demais.
Frente aos olhos vão as almas e dentro de si as lágrimas.
Frente aos olhos vão as almas e dentro de si as lágrimas.
IRMÃO MEU...
Em um vento sem arestas e num mar sem cabelos, desejo crianças ninadas ao sabor das marés.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
LAROIÊ! MOJUBÁ!
Dá de ombros
Dá de costas
Cego e surdo
Tempo menino que vem com troça de coisa antiga
Não vê que pelo centro a gente vai ao vento e morre oca pregada na cruz.
Não vê que pelos cantos as mãos tem calos e não calam, gargalham alto.
Não vê o povo de rua que resiste.
Não vê nada esse tempo menino que faz troça de coisa antiga.
Dá de ombros
Dá de costas
Cego e surdo.
Dá de costas
Cego e surdo
Tempo menino que vem com troça de coisa antiga
Não vê que pelo centro a gente vai ao vento e morre oca pregada na cruz.
Não vê que pelos cantos as mãos tem calos e não calam, gargalham alto.
Não vê o povo de rua que resiste.
Não vê nada esse tempo menino que faz troça de coisa antiga.
Dá de ombros
Dá de costas
Cego e surdo.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Aos que saíram mais cedo dessa madrugada
...e ao Paulo que realmente saiu bem cedo.
Aquele trago enevoou sonhos de uma só vez.
Foi embora numa fogueira de imagens e não se encontrou mais nada que se via nas noites de calor, restando do fogo só o frio, a ausência das coisas.
E o fogo tem disso.
Consome cuspindo cinzas, borrando a terra que também consome, se alimentando do que foi brasa, do corpo que dançou vermelho ao vento e que um dia tem câimbra.
E a terra também tem disso.
Bem quando acaba a madrugada dá cama pro que foi lenha enchendo a barriga pra mais tarde parir outra moça que sonha e que gira e que engole pela primeira vez a noite úmida que geme.
Aquele trago enevoou sonhos de uma só vez.
Foi embora numa fogueira de imagens e não se encontrou mais nada que se via nas noites de calor, restando do fogo só o frio, a ausência das coisas.
E o fogo tem disso.
Consome cuspindo cinzas, borrando a terra que também consome, se alimentando do que foi brasa, do corpo que dançou vermelho ao vento e que um dia tem câimbra.
E a terra também tem disso.
Bem quando acaba a madrugada dá cama pro que foi lenha enchendo a barriga pra mais tarde parir outra moça que sonha e que gira e que engole pela primeira vez a noite úmida que geme.
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